Duas semanas de orçamento em duas horas
O ciclo de montar orçamento e proposta caiu de duas semanas para duas horas numa casa de engenharia sob projeto — e a estimativa chegou a 93–97% de paridade com o orçamento do engenheiro sênior num teste cego. O método, inteiro.
04 de agosto de 2026 · F7 KORE · Prova · Engenharia sob projeto · Orçamento · IA aplicada
Toda casa que vende engenharia sob projeto guarda o mesmo conhecimento nos mesmos lugares: o pedido do cliente, o memorial descritivo, o desenho, a planilha de custo do projeto parecido de oito meses atrás, a pasta com as propostas que fecharam. A maioria dos sistemas do mercado guarda e busca esse material muito bem.
O trabalho de transformar tudo isso em preço continua inteiro na cabeça de duas ou três pessoas.
Este post é o que aconteceu quando o software passou a fazer esse trabalho — e como a gente foi medir se ele fazia bem.
O ciclo que ninguém cronometra
O pedido chega por e-mail: entre especificação técnica, memorial e desenhos, é comum passar de cem páginas. A partir daí, sempre a mesma pessoa:
- lê tudo e separa o que está pedido, o que está implícito e o que está faltando;
- monta a ficha técnica do que vai ser fabricado;
- compõe o custo — material, fabricação, montagem, frete, garantia, margem;
- escreve a proposta no padrão da casa;
- revisa, porque um erro de percentual numa linha vira disputa contratual depois.
Somado, esse trabalho ocupa cerca de duas semanas por proposta. E como só quem tem critério consegue fazer, a fila de pedidos vira fila de receita: com oito cotações represadas, o tempo de resposta triplica e o cliente novo desiste antes de receber o preço. Na operação que acompanhamos, orçar e propor consumiam cerca de metade do tempo do ciclo comercial.
E cada cotação recomeça do zero. O projeto quase idêntico, fechado no ano passado, não ajuda em nada além da memória de quem estava lá.
(Os três dias de que já falamos em a proposta técnica que tomava 3 dias do engenheiro sênior são só a redação da peça. As duas semanas são o ciclo inteiro — ler, dimensionar, compor o custo, escrever e revisar. Este post é o que aconteceu quando fomos medir esse ciclo.)
O resultado curto, antes do método: esse ciclo passou a caber em cerca de duas horas, e a estimativa chegou a 93% a 97% do orçamento que o engenheiro sênior já tinha fechado — num teste em que a IA nunca viu o resultado dele. O resto do post é como isso foi construído e, principalmente, como foi medido.
O que construímos
Quatro peças, montadas em cima do acervo de documentos da própria casa.
1. Leitura com evidência. Os documentos do cliente entram no acervo da própria casa — PDF de texto, planilha, desenho. O acervo é dela: roda em nuvem dedicada ou dentro da empresa, como ela decidir. O F7 KORE lê e extrai item por item: dimensões, quantidades, requisitos de escopo, condições de fornecimento. Para cada valor extraído, ele mostra de onde tirou: o documento, a página, o trecho. O que não encontrou, ele não preenche — marca como pendência. Um campo declarado em branco vale mais que um número plausível.
2. Estimativa que aprende com o histórico da casa. Não é um modelo genérico “de mercado”: o motor treina nos orçamentos que a própria empresa já fechou, e cruza duas leituras independentes do mesmo projeto. Quando as duas convergem, a estimativa é sólida; quando divergem, o projeto é atípico e merece o olho do engenheiro.
3. O engenheiro confirma — e o número reage. A estimativa aparece com os itens extraídos ao lado. Ele confirma o que está certo, ajusta o que conhece melhor que qualquer documento, e o custo se recalcula na hora. Não é um relatório para revisar e refazer à mão: é o próprio motor rodando de novo com o dado dele.
4. A proposta no padrão da casa. No fim sai o documento no template da empresa — capa, seções, ficha técnica em tabela, composição do investimento. Onde faltou dado, o texto traz um “[A DEFINIR]” explícito em vez de um valor de fábrica. Ninguém envia proposta com lacuna à vista; mas muita gente já enviou proposta com número default que ninguém conferiu.
São as duas horas do começo do post. Mas tempo, sozinho, não vale nada: proposta rápida com preço errado custa a margem ou custa a obra. Então a pergunta que importava era a outra — o número está certo?
A prova: o teste cego
Estimativa que acerta o passado que ela mesma viu não prova nada. Então medimos do jeito que dói: pega os orçamentos já fechados, esconde um, treina o motor só com os outros, pede a estimativa do que foi escondido e compara com o número real. Um por um.
A paridade chegou a 93% a 97% — contra o orçamento que o engenheiro sênior já tinha fechado, sem a IA jamais ver o resultado dele. Com uma coisa a mais que o orçamento feito à mão não entrega: a evidência de cada item, rastreável até a página do documento de origem.
Medimos sobre o acervo real de uma casa de engenharia sob projeto: orçamentos fechados, com valor de contrato conhecido, numa prova de conceito concluída. Não nomeamos a casa — composição de custo e proposta é o material que uma engenharia não publica, e a mesma discrição vale para quem contrata a gente. O método está inteiro aí em cima; é o mesmo que rodamos no histórico de quem chega.
O que isso libera
Não é sobre responder rápido. É sobre o que a casa passa a conseguir fazer:
- Responder a todos os pedidos. Quando montar uma proposta custa duas horas em vez de duas semanas, a casa deixa de escolher quais RFQs vai atender. Mais propostas na rua é mais chance de ganhar — a matemática mais simples que existe em vendas industriais.
- O sênior de volta ao trabalho de sênior. Ele para de compor planilha e volta a fazer o que ninguém mais faz: decidir escopo, achar risco técnico, negociar a obra.
- O critério da casa vira ativo. O que sustentava a estimativa era o acervo de decisões que a empresa já tinha tomado — espalhado em PDFs e planilhas, sem render nada. Agora ele trabalha em cada nova cotação, e melhora a cada proposta revisada.
- Preço rastreável. Cada número da proposta tem procedência. Numa disputa de escopo seis meses depois, isso é a diferença entre discutir memória e mostrar documento.
Vale para além da cotação: ficha técnica, laudo, memorial, inspeção — todo trabalho que hoje depende de uma cabeça sênior lendo documento e aplicando critério.
Um princípio atravessa tudo isso e é o que faz o número ser confiável: onde não há evidência, o F7 KORE aponta a lacuna em vez de inventar um valor. É por isso que o engenheiro assina embaixo — o trabalho braçal sai, a decisão fica com ele.
Pedido de cliente, desenho e composição de custo são o material mais sensível de uma casa de engenharia. Por isso o F7 KORE roda dentro do cliente quando ele precisa disso — assunto que já tratamos em onde a IA roda importa.
A casa por trás do F7 KORE automatiza processo industrial há mais de uma década, em operação real e ambiente regulado. O que mudou foi o motor: a plataforma passou a fazer o trabalho em cima do conhecimento que já estava lá — e a pessoa sênior passou a revisar e decidir, em vez de executar.
Se a montagem de orçamento e proposta técnica é o gargalo da sua engenharia, o caminho é curto: traga os orçamentos fechados dos últimos projetos parecidos — meia dúzia já basta — com os pedidos correspondentes. Dá para medir a paridade no seu histórico, pelo mesmo método deste post. Fale com a gente.